Gravidez, Aleitamento e Covid - 19
Olá Famílias,
Este artigo destina-se a todos que esperam o nascimento do seu
filho, que pretendem amamentá-lo após o seu nascimento e todos aqueles que
continuam a serem amamentados.
Como toda esta situação é muito recente, por vezes não é fácil
reunir a documentação mais credível. Caso seja do vosso interesse, temos em
ficheiro documentos com essa informação que vos podemos facultar.
Contudo, partilhamos convosco algumas ideias/cuidados a ter:
✔ Sociedade Portuguesa de Medicina
Interna (https://www.spmi.pt/risco-de-infeccao-pelo-covid-19-em-gravidas/)
O Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica (NEMO) emite as seguintes
recomendações/notificações:
1. Não obstante o número de casos de infeção COVID-19 em grávidas
não ser elevado, devemos assumir que o risco é o mesmo da população geral, pelo
que as grávidas devem cumprir as medidas de redução de contágio como o
isolamento social e a etiqueta respiratória. Sabe-se que as alterações
imunológicas da gravidez podem predispor para infecções respiratórias, aumentando
a morbilidade materna.
2. Pouco ainda se sabe sobre a transmissão vertical, mas parece
ser reduzida.
3. Não há evidência de que o vírus passe o leite materno e os
benefícios da amamentação superam qualquer risco potencial de transmissão
COVID-19 pelo leite materno. As mães que amamentam devem tomar todas as
possíveis precauções para evitar transmissão como lavagem de mãos frequente e
usando uma máscara facial, durante a amamentação.
4. Não há evidência de que após o parto, uma mulher com COVID-19
deva ser separada do seu filho. O impacto da separação parece ser mais prejudicial
do que o risco de infecção.
5. As grávidas devem evitar dirigir-se aos centros hospitalares
excepto se estritamente necessário. Para tal, devem os internistas que realizam
consultas de Medicina Obstétrica efetuar teleconsulta em vez de consulta
presencial. Preferencialmente as grávidas devem ter uma via de contacto directo
com o internista assistente, nomeadamente endereço de e-mail.
6. As grávidas deverão ser instruídas sobre os sinais de alarme da
eventual agudização da sua patologia de base, e dos motivos que as levem a
contactar a linha SNS 24 ou o INEM.
7. Devem ser adoptadas medidas que reduzam o risco de infeção:
lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos;
usar um desinfetante para as mãos à base de álcool, como álcool em gel; evitar
tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo
com pessoas doentes; cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de
papel e deitar no lixo; limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com
frequência.
8. As máscaras cirúrgicas são essenciais para as pessoas doentes e
recomendadas nas regiões mais afetadas, mas não garantem uma proteção de 100%
contra a epidemia.
9. Estas recomendações não devem sobrepor-se a novas recomendações
que a tutela venha a emitir. As doentes devem cumprir rigorosamente as
recomendações da tutela para controlo da disseminação comunitária.
✔
Segundo a Direcção Geral da Saúde (https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2020/03/Alimentac%CC%A7a%CC%83o-e-COVID-19.pdf )
Aleitamento materno e COVID-19 (p.14,15)
Até ao momento, não há evidência suficiente e inequívoca de que o
vírus SARS-CoV2 possa ser transmitido pelas mães com COVID-19 através do leito
materno. Tanto quanto sabemos, o único estudo clínico disponível, ainda que com
uma amostra de apenas 9 doentes, sugere que não existe transmissão vertical no
período neonatal através da amamentação. A este estudo clínico, acrescenta-se a
evidência de um estudo de caso e a evidência já existente para outros vírus
respiratórios, que mostra de modo em geral a não transmissão através do leite
materno.
A UNICEF, o Centro de Controlo e Prevenção da Doença (CDC) dos
Estados Unidos e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) do
Reino Unido já se pronunciaram a este respeito, referindo que as mães que estão
infetadas com o SARS-CoV2 ou sob investigação, podem manter a amamentação desde
que a situação clínica o permita.
Esta recomendação baseia-se no facto de se considerar que os
benefícios da amamentação são maiores do que os potenciais riscos de
transmissão do coronavírus pelo leite materno, à data, não há́ indicação para
suspender ou não recomendar a amamentação. É consensual, quer por parte das
comissões de nutrição (ESPGHAN, 2017; Comissão de Nutrição da SPP, 2012) quer
pela OMS (WHO, 2009) que o aleitamento materno, é a melhor forma de alimentação
da criança até aos 6 meses (salvo raras exceções), com benefícios quer para a
mãe como para a criança.
O principal risco de amamentar é o contato próximo entre a mãe e a
criança, pois podem ser partilhadas gotículas infeciosas no ar, podendo levar à
infeção na criança, tal como esclarece o texto "COVID-19: Gravidez e aleitamento
materno" publicado pela Unidade de Doenças Emergentes do Serviço de
Doenças Infeciosas do Centro Hospitalar Universitário de São João e a pela
Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde
Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
Sendo a evidência escassa sobre a possibilidade de transmissão do
SARS-CoV2 através do aleitamento materno e assumindo os possíveis riscos de
transmissão inerentes à proximidade entre a mãe e a criança durante o
aleitamento materno, as mães com COVID-19 devem ser devidamente informadas e
esclarecidas sobre todos os benefícios e riscos da amamentação, bem como sobre
todas as precauções que devem ter para evitar a transmissão do vírus para a
criança.
Assim, à luz da evidência atual , a amamentação pode ser mantida
desde que as mães estejam devidamente informadas e esclarecidas e desde que
sejam asseguradas boas práticas de higiene e tomadas todas as precauções para
evitar a transmissão da COVID-19 à criança:
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão durante, pelo menos, 20 segundos, antes e depois de cada mamada;
- Usar uma máscara facial durante a amamentação;
- Evitar tocar na boca, nariz e olhos da criança;
- Limpar e desinfetar os objetos e superfícies usados frequentemente;
- Se a mãe optar por extrair o leite com uma bomba manual ou elétrica, deve lavar as mãos com água e sabão antes de tocar em qualquer parte da bomba ou do biberão e seguir as recomendações para uma adequada limpeza e desinfeção da bomba após cada utilização;
- Sempre que a mãe esteja muito doente, esta deve ser incentivada a extrair o leite e não dar diretamente à mama.
Todavia sabemos que os procedimentos nos diversos hospitais podem
variar, por isso temos também reunidas informações à data de hoje (25/3/2020)
sobre os procedimentos que o Hospital São Francisco Xavier e Maternidade
Alfredo da Costa estão a realizar em relação à presença do Pai no Bloco de
Partos/Internamento e Amamentação (no caso das mães com Covid-19+).
Aguardamos informações do Hospital Fernando da Fonseca, Hospital
Beatriz Ângelo e Hospital Garcia d`Orta.
Estamos disponíveis para esclarecer qualquer dúvida.
Utilizem os nossos contatos:
E-mail - cppnp.acesamadora@arslvt.min-saude.pt
Telef - 214906217
Abraços Parentais
Equipa CPPNP "SOMOS +
1"


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