O Meu Bebé nasceu... E agora??


O Meu Bebé nasceu... E agora??




Bom dia famílias!
Hoje o tema que vamos abordar é a chegada do vosso Bebé.
Nesta altura, duas das situações que mais vos preocupam, que é o trabalho de parto e o parto, já passaram… E agora chegou o momento de mais um desafio… Conhecerem o vosso Bebé e cuidarem do mesmo…
Foram meses de preparação... Tantas idealizações... Mas, ainda assim, tudo parece difícil… Muitas dúvidas surgem… Medos… Receios…
E sabem? É normal… Mantenham a calma... Os próximos tempos que se avizinham não são nada mais nada menos que uma fase de adaptação… Para todos... Inclusive para o Bebé...
Nunca ninguém sabe tudo e são as experiências, o passar por elas, que nos trazem as maiores aprendizagens...
Hoje vamos transmitir-vos informações que pretendem dar-vos a conhecer como são as primeiros momentos com o vosso Bebé.
Lembramos apenas que quando nasce um Bebé, nasce (ou renasce) também um novo papel nas pessoas que o rodeiam... Nasce (ou renasce) uma Mãe, um Pai, um Irmão, uma Avó, um Avô, um Tio, uma Tia... E todos estes papéis têm, se assim for desejado, uma importância fulcral na vida do Bebé. E como tal há que valorizá-los..

Após o nascimento do Bebé

Contacto Precoce Pele a Pele
Em situações normais (que não em contexto de COVID-19), ainda na sala de partos, imediatamente após o nascimento do Bebé, a Mãe é convidada a vivenciar algo único e irrepetível, que é o contacto precoce pele a pele com o Bebé.
E já com o bebé junto a si, a Mãe ou o Pai são convidados a participar no corte do cordão umbilical... Uma memória que fica para o futuro...



O contacto precoce pele a pele é uma prática preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1996 e é adotada em todas as maternidades, tendo em conta alguns aspetos:
- Se se tratar de um parto de termo ou pré-termo entre as 35 e 37 semanas (antes das 35 semanas não é aplicável);
- Se se estiver perante  líquido amniótico claro (se tiver coloração pode significar sofrimento fetal, hemorragia e/ou infeção e, nesses casos, há que agir com urgência junto do recém-nascido);
- Se a mãe e o recém nascido estiverem estáveis e não necessitem de cuidados imediatos;
- Se o bebé respira e chora sem dificuldade;
- Se o bebé apresenta bom tónus muscular;
- Se é a vontade dos pais.

O contacto precoce pele a pele é um direito do recém-nascido, que se realiza sob a vigilância dos profissionais de saúde que acompanham o nascimento, que devem respeitar este momento como um momento sagrado e mágico. Momento esse que não deve ser interrompido com intervenções que não são prioritárias e que são, portanto, passíveis de serem adiadas para tempo mais oportuno.
Uma vez estabelecido o contacto pele-a-pele, preconiza-se que este seja mantido durante 1 a 2 horas, sem interrupções. Todos os cuidados como pesar o bebé, secá-lo, vesti-lo (entre outros), são realizados depois de promovido o contacto pele-a-pele.

São benefícios do contacto precoce pele a pele:
Ø  Diminui o tempo de choro;
Ø  Favorece o estabelecimento da relação mãe/filho (vinculação);
Ø  Favorece a instituição da amamentação;
Ø  Diminui a ansiedade materna;
Ø  Aumenta a satisfação materna;
Ø  Diminui a dor;
Ø Promove a contração do útero através da libertação das “hormonas do amor” (ocitocina e prolactina).

(Atualmente, em contexto de pandemia COVID-19, o contacto precoce pele a pele poderá não está a ser proporcionado, de acordo com indicações da Direção Geral de Saúde.)

Cuidados imediatos ao Bebé
Após o nascimento do Bebé e, sem que a Mãe e o Pai dêem conta, é feita uma avaliação do Bebé e da sua adaptação à vida fora do útero, que se chama Índice de Apgar (IA).

O Índice de Apgar é avaliado ao 1º, 5º e 10º minuto de vida do Bebé e tem em conta:
- Frequência cardíaca;
- Frequência respiratória;
- Tónus muscular;
- Reflexos;
- Cor da pele.

Este índice determina o bem-estar do bebé e a necessidade (ou não) de intervenções urgentes. É realizado numa classificação de 0 a 10 no espaço temporal acima referido. A avaliação ao 10º minuto de vida pode não ser realizada depois de duas avaliações anteriores consideradas adequadas.

Pode ser necessário a realização de alguns procedimentos ao Recém-nascido, determinados pela avaliação do Índice de Apgar (e como tal, de acordo com o bem-estar do Bebé), como aspiração de secreções, apoio ventilatório, entre outros.

Depois de proporcionado o contacto pele a pele, são realizados outros cuidados (estes passíveis de serem adiados), como:
- Colocação de pulseira de identificação na Mãe e no Bebé (o Bebé é identificado como filho de e depois o nome da sua Mãe);
- Avaliação do Peso, Comprimento e  Perímetro Cefálico do Bebé;
- Administração da 1ª dose da vacina da Hepatite B (Engerix);
- Limpeza e aquecimento do bebé e colocação da sua primeira roupa;
- Registos no Boletim de Vacinas e no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil.

A partir deste momento, o Bebé tem direito a dois documentos próprios: o Boletim Individual de Saúde (Vacinas) e o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil (se for menino é atribuído um livro de cor azul, se for menina será atribuído um livro de cor rosa).

Estes documentos devem acompanhar sempre a criança em qualquer vigilância de saúde.    

Para vossa informação, fazemos aqui um apontamento em relação ao que significa vigilância de saúde para uma criança.
Ao longo de toda a sua vida, toda a criança tem prevista, na sua vigilância de saúde (até aos 18 anos), a realização de várias consultas de Saúde Infantil e o cumprimento do Programa Nacional de Vacinação.

E quando têm de acontecer essas consultas de Saúde Infantil e as vacinas?

Se folhearem o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, vão perceber quais são as idades chave em que devem acontecer as consultas de Saúde Infantil, que depois terão de agendar na unidade de saúde onde a criança está inscrita ou no Pediatra particular.
As idades-chave das consultas de Saúde Infantil são: 1ª consulta na primeira semana de vida, 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, 12 meses, 15 meses, 18 meses, 2 anos, 3 anos, 4 anos, 5 anos, 6/7 anos, 8 anos, 10 anos, 12/13 anos e 15/18 anos.

Na última página do mesmo documento está apresentado o Programa Nacional de Vacinação em vigor, com as vacinas que dele fazem parte e as idades a que devem ser administradas. Consultem este documento como vosso auxiliar de memória, para que nada vos passe ao lado. As primeiras vacinas do bebé são administradas na maternidade – 1ª toma da Engerix (vacina da Hepatite B) e, se tiver indicação para tal, a BCG (vacina contra a tuberculose).
De notar que a BCG só é administrada a crianças que cumpram determinados critérios de administração.  Crianças nascidas e residentes em concelhos de risco (onde o índice de Tuberculose é elevado) vão receber esta vacina à nascença. O concelho da Amadora é considerado um concelho de risco, pelo que todas as crianças que nele nasçam ou residam, devem fazer a BCG. Se não fizerem na maternidade (por norma é adminsitrada no Serviço de Obstetrícia), serão contactadas telefonicamente pela respetiva unidade de saúde, onde estão inscritas, para agendamento da BCG, que, idealmente, deve ser administrada até 1 ano de idade.

E depois do Bloco de Partos?

Em situações lineares, e em condições normais (fora deste contexto de pandemia do COVID-19), a partir do nascimento, a Mãe e o seu Bebé vão usufruir dum alojamento conjunto. Quer isto dizer que, desde o nascimento do Bebé, até à alta hospitalar da Mãe (e do Bebé), ambos vão permanecer sempre na mesma unidade, lado a lado.

Recobro
Após a saída da sala de partos, segue-se um período de recobro, numa sala existente para esse fim. Aí, à partida, a Mãe não poderá receber visitas (existirão outras Mães, com os seus filhos, nessa mesma unidade de recobro e há que manter a privacidade e o bem-estar de todos). Neste período de recobro, procura-se instituir o aleitamento materno (se for esse o desejo da Mãe e se não aconteceu ainda durante o período de contacto precoce pele a pele).
Terá o apoio de uma enfermeira para a ajudar nesta e em todas as suas necessidades. Por vezes, pode não ser fácil conseguir que o bebé pegue na sua mama... Mas lembre-se que estão ambos a aprender e a adaptar-se, quer a Mãe, quer o Bebé... Procure manter a calma... E, se necessário, peça ajuda.

No caso do Bebé precisar de cuidados neonatais e ter de ficar internado na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, a Mãe estará separada fisicamente do seu Bebé, mas, quando as condições (do Bebé e as suas próprias) o permitirem, poderá visitar a criança, sendo acompanhada por uma auxiliar do Serviço de Obstetrícia.

Serviço de Obstetrícia - Puerpério
Em caso de estabilidade, quer da Mãe (que desde o nascimento do Bebé se tornou também Puérpera), quer do Bebé, ambos são transferidos, após umas horas no recobro, para o Serviço de Obstetrícia - Puerpério. Aqui permanecerão ambos internados, até alta hospitalar. 
O internamento prevê-se que seja mantido durante o mínimo de tempo necessário. No caso de se ter tratado de um parto eutócico (por via vaginal) o internamento mantém-se durante cerca de 36 horas. No caso dum parto por cesariana o internamento deve ser mantido durante 72 horas. Se, por algum motivo, a mãe reunir condições para alta e o bebé não, ou vice-versa, protela-se a alta, para que seja mantido o alojamento conjunto, e têm alta os dois, quando estiverem reunidas as condições para tal.

Quando já estiver no Serviço de Obstetrícia, o Pai pode trazer as malas que prepararam para a Maternidade, a da Mãe e a do Bebé.
Receberá também ofertas de material que necessita para os dias de internamento, como fraldas, compressas esterilizadas, Soro Fisiológico (para o Bebé), cuecas descartáveis, pensos higiénicos (para a Mãe). Mas reúna também este material na mala que preparou para o Bebé.

No serviço de Obstetrícia podem começar a ter visitas. O Pai tem direito a um horário de visitas próprio. Os restantes familiares terão outro horário de visitas. Informe-se junto dos profissionais do respetivo serviço.
O nosso conselho é que estas visitas sejam minimizadas para o Pai e  para os familiares mais próximos. Terão todo o tempo do mundo para receber as restantes visitas em casa, num ambiente mais acolhedor e descansado.

Durante a permanência no Serviço de Obstetrícia contarão com a presença de vários Enfermeiros, Médicos Obstetras e Médicos Pediatras, que farão a vigilância da Mãe e do Bebé. Em caso de dúvidas, medos, receios, ansiedades ou dificuldades, não hesite, peça ajuda!

Durante o internamento no Serviço de Obstetrícia terão oportunidade de registar o vosso Bebé e de solicitar o seu cartão de cidadão. Informem-se.

Alta Hospitalar

Se estiverem reunidas as condições para Alta Hospitalar, quer da Mãe, quer do Bebé, a família irá iniciar um novo caminho em conjunto, desta vez, no seu domicílio.

O Bebé só terá alta transportado no "ovo"... Por isso, lembrem-se de testá-lo antecipadamente, a correta forma de colocação do bebé no ovo , a adaptação do ovo ao automóvel, o ajuste dos cintos... Os sistemas de retenção devem ser corretamente utilizados, para que não haja falhas e para segurança do Bebé.


Lembramos que, depois da alta do bebé, deverão:
- Inscrever o Bebé na vossa unidade de saúde (Centro de Saúde), apresentando o registo de nascimento do Bebé (o Bebé deve ser inscrito na unidade de saúde onde a mãe está inscrita);
- Confirmar os vossos dados junto do Secretariado do Centro de saúde, nomeadamente morada e contacto telefónico;
- Agendar consulta de enfermagem para realização de Teste de Diagnóstico Precoce/ Rastreio de Doenças Metabólicas (Teste do Pézinho), que deve acontecer entre o 3º e o 6º dia de vida do Bebé;
- Agendar 1ª consulta de Saúde Infantil para o Bebé;
- Poderão ser agendadas consultas de enfermagem regulares para avaliação do Bebé;
(Não se esqueçam que têm sempre de fazerem-se acompanhar do livro de vacinas e do livro de Saúde Infantil e Juvenil)
- Agendar consulta de Revisão de Parto para a Mãe (de preferência na 5ª semana após o parto). Lembra-se do livro da Grávida? Vai precisar dele para esta consulta.
- Começar a pensar que método contracetivo desejam iniciar (provavelmente o casal já falou no final da gravidez). Se for o caso da pílula de amamentação, devem iniciá-la ao 21º dia de vida do bebé. Informem-se junto dos profissionais de saúde que vos acompanham na vossa unidade de saúde.





Em casa, novos desafios vos esperam...


Boa sorte, Famílias... Confiem em vós... Vai correr bem...

  
  

Abraços Parentais
Patrícia Ribeiro, Enfª Especialista em Saúde Infantil e Pediátrica
Equipa CPPNP "SOMOS + 1"

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