A Construção de um Lugar da Janela do Psicólogo
Gravidez, Parto e
Parentalidade: A Construção de um Lugar da Janela do Psicólogo
Dadas as
imposições de confinamento social, que a pandemia pelo covid-19 nos impõe a
todos, como psicólogo e membro da equipa do curso de preparação para o parto e
para a parentalidade, escrevo este texto para o nosso Blog, uma vez que não
podemos estar juntos em presença física.
O corpo da
mulher, durante a gravidez prepara-se para acolher o feto, o bebé, e para o
nascimento. Mas mesmo muito antes do corpo se preparar, ocorrem mudanças
psíquicas na mulher, e no homem, também elas destinadas a acolher um filho, um
novo ser. O objectivo é dar um lugar psíquico, um espaço interno que culmina
com a atribuição de um nome para o bebé.
Essas mudanças começam a maior
parte das vezes, muito antes
da própria gravidez, começam quando o bebé se torna fonte de desejo, e presença
no imaginário da mãe e do pai. A presença no imaginário, significa que
se forma um espaço psíquico significante, isto é que vai dar significado e
sentido aos afectos e necessidades do bebé.
Daí resulta
então, imaginar como vai ser o bebé, imaginar-lhe um sexo, o sonhar com o bebé,
o construir um quarto para ele, a sua roupa a sua cama, o seu espaço.
Da mesma forma,
aquilo que desejamos, muito temos medo de perder, pois só podemos perder o que
temos e o que desejamos. Então o medo é uma dimensão que acompanha o processo
da gravidez e que se condensa no parto, e continua no medo de não ser capaz de
cuidar do bebé.
Os medos que
surgem no nosso funcionamento psíquico inconsciente condensam-se no medo da
separação, e é através deste sentimento que elaboramos o medo da perda cujo
representante mais assustador é a morte.
Mas o medo da
perda, neste momento, está ainda contaminado com os medos que o Covid-19 gera
em cada um de nós. Medos esses, muito provavelmente ligados à perda e à
separação daqueles que amamos. Será importante pensarmos, que termos medo da
perda não é igual a perdermos,
termos medo da morte não é igual a morrer, mas sim um saudável desejo de viver.
Todos os nossos
pesadelos são bem piores do que a realidade. É natural ter medo, é natural ter
medo pelo processo de parto, é natural ter medo pela pandemia, e é natural que esse medo nos ajude, se transforme em ações protetoras
em relação a nós próprios e obviamente por essa medida aos outros.
Assim toda a
preparação para o parto, a continuidade da construção do espaço para o bebé, para a mãe interagir com o bebé
dentro e fora da sua barriga,
para a mãe e o pai
interagem com o bebé e para a mãe o pai interagirem entre eles deve continuar.
Há mães que não
têm a presença física do pai do bebé, e as vezes mesmo a presença emocional. Mas
a psicanálise e a psicologia ensinaram-nos que dentro duma mãe existe sempre, inconscientemente,
o padrão da relação com uma figura paterna, habilitando a mãe a transmitir ao
filho o seu modelo de figura paterna. E o filho intuí outros modelos paternos
no seu meio ambiente. Podemos estar mais sozinhos por fora, e todos nós
passamos por isso, mas não necessariamente sozinhos por dentro.
Há alturas no entanto, em que a mãe e/ou o pai, podem
ficar confusos,
demasiado confusos, demasiado ansiosos ou deprimidos, terem dificuldades sérias com o sono, com o seu auto-cuidado, perturbados por inquietações constantes. E para
isso estamos aqui, a
equipa de psicologia, e vários recursos que se puseram disponíveis para o
atendimento psicológico nesta época de pandemia.
Caso necessitem
de contatar um psicólogo, deixo o meu contacto, e o da minha colega Dra
Alexandra Amaral, também ambos, psicólogos desta equipa
Podem recorrer
também ao apoio psicológico telefónico quer do SNS 24, quer ao apoio
psicológico da linha da Sociedade Portuguesa de Psicanálise
300 051 920.
O ACES da
Amadora está também a organizar uma linha de apoio psicológico que quando
operacional, daremos informação.
Desejamos a todos uma excelente
gravidez, com o máximo prazer possível, um parto com o mínimo de dor
possível, e ao mesmo tempo
desejo que nos encontremos pessoalmente, assim que for possível.
Vítor Branco, Psicólogo Clínico
Cumprimentos
Parentais
Equipa
“SOMOS+1”

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